2 de novembro de 2014

Músicas (Lado B)

Agora o lado B, mais raivoso:


Culpado?

Culpas impregnadas
Não fuja da linha, eles sempre aconselham
Meu papel social – me formar bom rapaz
Multas demasiadas
Violento ostracismo, como se eu precisasse
Me passar por um tolo no meio de escravos

Fugas importunadas
Não há escapatória, na multidão digital
O mundo privado é tormenta de outrem
Chuvas indesejadas
O anúncio viral, tão intenso e vazio
Pois só o consumo salvará a nação

O ônus foi invertido
Prevento veredicto
Devo aceitar ao redor a pressão
E me resignar em vis neuroses

Culpa!
Já me fazem culpado (todos são culpados)
Culpa!
da capo culpado (se sintam culpados) –
Mídia: o superego moderno

Mulas endinheiradas
O novo copia velhos atos grosseiros,
Emergem sem fim os idiotizados
Putas domesticadas
Meninas que sentem já cedo o mercado
Perpetuamente infantis, as putas incultas

Influência fluente, eles mentem (comprem, comprem, comprem)
E as falsas promessas nos vendem (comprem, comprem, comprem)
Único anseio: ficar muito rico
Pertences, presenças, da alma a falência

Rusgas dissimuladas
Peritos em desviar a atenção
Anestesiam, amortecem as críticas
Lutas procrastinadas
Querem embotar existências insanas,
Mas não sou da corporação o fantoche

O ônus foi invertido
Prevento veredicto
Devo aceitar ao redor a pressão
E me resignar em vis neuroses

Culpa!
Já me fazem culpado (todos são culpados)
Culpa!
da capo culpado (se sintam culpados) –
Mídia: o superego moderno


A Idiotas

Não quero saber
Nem venham me contar
Não quero saber
Vão morrer pra lá

Idiotas
Idiotas, idiotas
Chegam aqui
Achando que eu sou brother
Cheiram mal
Minhas narinas logo entopem

Fodam-se
Saiam já daqui
Movam-se
Ou meu pavio vai explodir

Urubus
Só carniça na carniça
Que juntos apodreçam
Estou mais é nem aí
Se vivem na miséria
Desejo que desapareçam

Idiotas
Vocês todos idiotas
Pois preciso explicar
Que eu não gosto de ninguém
Circulando, circulando
Ou o padre vai dizer amém!


Prazer na Dor

Talvez resquícios da infância
Ou quiçá o perfume da matança
A matança...
A herança brutalmente lhe invade
Sei que é a do mestre Sade
Esse sádico...

Dizem tortura nunca mais
Só que o terror muito atrai
Nos atrai...
Os masoquistas na prisão
Óbvia auto-flagelação
É tão Masoch...

Apanhar, bater
Esganar, sofrer
Sei, isto vai doer
Submisso a você

Prazer na dor
Homem entregue ao estupor
Prazer na dor
Anseia por tanto calor
Que maravilha esse horror
A agressão se torna amor

Pain! Pain! Pain! Pain!

A mentalidade doentia
Bastante algolagnia
Ele agoniza...
Ver a rubra nódoa na privada
E toda a pele costurada
Belas costuras...

Tem os tiranos predadores
Em seus servos bons atores
Bom, é recíproco...
Vinganças consensuais
Tem êxtases sexuais
Vai, excita mais...

Extremo pacto, por traumas
Imaturos com orgulho e sem almas
Castiga os distúrbios, a raiva!
A si, aos demais, ele mata

Apanhar, bater
Esganar, sofrer
Sei, isto vai doer
Submisso a você

Prazer na dor
Homem entregue ao estupor
Prazer na dor
Anseia por tanto calor
Que maravilha esse horror
A agressão se torna amor


Buquê

Vem, vem para perto de mim
Vem, não chegou nosso fim
Ainda há tanto a se fazer
Sonho, clichê

Vem, relembre lá, desde os confins
Sempre florindo o jardim
Adentre e veja ele crescer
É um buquê

Tão fácil de escapar
Eu volto a te agarrar
Teu cheiro, sei, é o meu lugar
Teus beijos vêm de par em par
Nada irá nos separar

Vem, tente ficar por aqui
Tente esquecer o que é ruim
Atente ao que te fez viver
No fuzuê

Vem, relembre lá, desde os confins
Sempre florindo o jardim
Adentre e veja ele crescer
É o buquê

Tão fácil de escapar
Eu volto a te agarrar
Teu cheiro, sei, é o meu lugar
Teus beijos vêm de par em par
Nada irá nos afastar


Em minha confusão 

Em minha confusão  
me apareceu você 
Dentro da confusão  
seu equilíbrio se perdeu 
Nessa fina confusão  
que se meteu você  
É a minha confusão  
irada se arrependeu 

Aqui  
pensou que fosse o paraíso  
lindo corpo prometido 
Fugi  
se fez na Terra esse inferno  
inane inadmissível 
Além  
nada havia, rápido e rasteiro  
o papo rude fere via franquezas 
Porém  
as esperanças se esvaíram  
eis que insípida e insossa 
Se achou  
sob um tédio atordoante  
as brigas recobravam vidas 
O ardor  
nossa memória do começo  
era fricção ficcionada 

Em minha confusão  
me apareceu você 
Dentro da confusão  
seu equilíbrio se perdeu 

Paraná  
tem fotos de lá, historinha 
subsumida, a fim de proteção 
Reparar  
em nossos próprios méritos?  
só depois do sopro, se se indispor 
Falta luz  
no calor ninguém aguenta, 
suamos um dia juntos 
Nos reduz 
a luzinha no fim do túnel 
que chama a lama e os lamentos 
Vai Mercúrio 
informar a nossos deuses  
das heresias sem remorsos 
Eu mergulho  
por cima de outra piscina  
com sorte me afogarei 

Em minha confusão  
me apareceu você 
Dentro da confusão  
seu equilíbrio se perdeu 
Nessa fina confusão  
que se meteu você  
É a minha confusão  
irada se arrependeu 

Em minha confusão,  
que equilíbrio se perdeu? 
Em minha confusão,  
nada, nada se aprendeu? 


O coxo

Ele era um coxo
Mancava da perna esquerda
E quase não se aguentava em pé
Ele manquejava, e era muito

Uma perna era torta
Enquanto a outra, super fina
Claudicou a vida toda
Cansou, chutou o balde

E caiu!
O saci caiu!
Hefesto caiu!
Do chão não passa.

Queria amputar sua perna
Trocar por uma prótese
Não mancaria jamais
Não seria um capenga a mais

Uma perna era torta
A outra, um mero graveto
Claudicou por toda a vida
Cansou, chutou o balde

E caiu!
O saci caiu!
Hefesto caiu!
Do chão não passa.


Quando será a sua hora?

É uma pintura: risca e arrisca, surge o artista!

Quem é o maior cidadão do mundo?
Qual é o lado que me faz profundo?
Quanto tempo falta para lhe esquecer?
E quando é a hora para amar você?

Deve haver algo a mais àquele que busca a paz

Quando é pior invocar o orgulho?
Em qual límpido lago eu me misturo?
Quem é que vai a Malta para envelhecer?
Quem vê a lua nova em meio ao fumacê?

Se ela diz que sim, vem a mim um belo marfim

Como pode o mago trespassar um muro?
Quantos altos fados só parecem barulhos?
Por que um homem mata e logo diz amém?
Até onde eu vou andar a fim de me aquecer?

Sei que não dura, ela acusa, escusa e infusa

Quem é o maior cidadão do mundo?
Em qual límpido lago eu me misturo?
Por que um homem mata e diz logo amém?
Quem vê a hora andar tende a desfalecer


Apesares

Apesar dos apesares a vida é muito boa
A pesar os pesares quem será que reclama?
Pesar os apesares no conforto da cama
Apesar dos pesares dela nunca se enjoa

Apesar de você o pesar há de ser
Peso de esconder, apesar de querer

A pesar os pesares não troco o sofrimento
Apesar do apesares visto o fardo sem luto
Apesar dos pesares nem tudo são lamentos
Pesar os apesares entristece, contudo

O pesar há de ser apesar de você
Apesar de querer peso de esconder

Apesar dos pesares leve é sua verdade
Apesar dos apesares teve felicidade
A pesar os pesares ônus é moderado
Pesar os apesares foi desequilibrado

Apesar de querer, apesar de você
O pesar há de ser peso de esconder

Pesar os apesares, por favor, faça a fineza
A pesar os pesares e trazer muita beleza
Apesar dos pesares a nossa alma se vai tesa
Apesar dos apesares o alimento tá na mesa

Peso de esconder o pesar há de ser
Apesar de você, apesar de querer


¬¢£³²¹

P.S: Renderia um disco, mas faltaram integrantes, disciplina e grana.

1 de novembro de 2014

Músicas (Lado A)


No livro que eu lancei há pouco tempo selecionei poemas e deixei de fora as músicas. Aproveito a oportunidade para republicá-las aqui no blog a quem interessar, deixando de fora as letras em inglês. Há as que contêm melodia transcrita e as que existem apenas em minha cabeça. De qualquer forma, quero demonstrar que além da literatura, a música é outra arte em que me envolvo. Há ainda o cinema, porém nesse caso não há produção da minha parte, mais por falta de de acesso aos meios técnicos para filmar curtas e longas do que curiosidade em atuar/dirigir mais essa forma de arte. Sem mais delongas, fiquem com as composições (não necessariamente em ordem cronológica):  
 
Mestre dos Sonhos

Doces sonhos é o que tu tens
E fazem tua cabeça girar
Teme nunca mais sentires bem
Pois te encontras em vias de pirar
Então afogas na própria mente
Esperando que as imagens apareçam
Irás torna-te um ser deprimente
Sem qualquer controle, tu pensas...

Vários fantasmas te assombram nos sonhos
Imploras por ajuda e não consegue acordar
Estás sendo possuído por um ser risonho
São sonhos impossíveis de se controlar

Achas que não passa de mais um pesadelo
Toda a verdade, verás num só instante
Ajudado por algum ser supremo
Que aparece em teu sonho constante
Odeias imagens que vês na viagem
Nunca tendo explicação coerente
Adoras tanto a visão da miragem
Que aguardas ela seja real, é.

Vários fantasmas te assombram em sonhos
Imploras por ajuda, mas não vais acordar
Estás sendo possuído por um ser bisonho
É o mestre dos sonhos, que vai te dominar


Loucura

A loucura - para o louco a cura
A secura - após a sepultura
Mordedura - modelo linha-dura
Armadura - projétil se anula

Prefeitura - muita gente adula
Atadura - antes leia a bula
A conjura - conjunto que copula
Nas alturas - o crime me perfura

Coisas demais nunca me deixam em paz
A arte desfaz - projeto leva-e-traz
O artista me faz estas coisas a mais
É a parte de trás que protege meu cais

2x:
O louco seco morde a arma
(O louco seco morde a arma)
No mouco beco perde a alma

Dura, dura? Travada feito mula
Pula, pula? Ninguém mais te atura
Jura, jura? Que um animal ovula
Pura, pura? Satisfaz tua gula

Dentro daqui não posso mais ter
Controle, ciência, dinheiro e poder
Dentro daqui não há como ser...


Ph.Deuses

- Eu estudei, sei mais que você, sou P-H-D
- Ph.Deuses deveriam, por vezes, limpar minhas fezes.
- Trabalhe, trabalhe, não atrapalhe. Paspalho, se cuide!
Trabalho, trabalho, siga na marcha, atento. Circule.

- Quem sabe, quem disse, quem manda, alguém sabe dizer o porquê?
- Em seus relatórios quero mais foco, você está aquém;
Fracasso, fracasso, serviço em nível de um cabo raso
Atrasos, atrasos, todo seu salário vale meu cadarço
Não compartilho o saber; vocês todos inúteis!
Eita vidinha de infame, seus gostos são fúteis!

- O pequeno burguês se recusa a viver como chinês
Senta-se à mesa do chefe e sente o poder de uma vez
Lei da mordaça, lei da fumaça... e bebe da taça.
Séquito bobo rindo aos montes de coisas sem graça
- Braços direitos e privilégios ao novo rei!
Mantenham o ritmo, eu é que mando, é minha a lei!

Diploma de Ph.D, licença de Ph.Deus
Diploma de Ph.D, licença de Ph.Deus

Mega, mega, megalomaníaco!
Nega, cega, veda, alega.
Mega, mega, megalomaníaco!
Nada, nada, além de um maníaco.


Malditos sejam

Verso:
Ninguém – sabe onde isso tudo vai parar (não... não, não)
Alguém – aproveita e manipula a nação (na exploração)
Sabem – os pilantras que corrompem sem perdão (sem perdão)
Invadem – minha casa e obrigam a me calar (são cães, cães)
Também – caçoam e prometem se vingar (sem noção)
Além – de jogar seus desafetos num lixão

Pré-refrão:
Nada será igual
Ele ludibriará
Espalhará todo o mal
Aguarde pelo final

Refrão:
Maldito seja quem traz o terror
Maldito seja, se ele vem, acabou
Maldito seja quem faz o furor
Maldito seja!
Malditos sejam

Verso:
Por quem – os sinos novamente dobrarão? (pelos irmãos)
Amém – cada seita jura poder nos salvar (circo e pão, circo e pão)
Ardem – os malditos que devoram corações (e que se vão)
Cantem – os rituais dos grandes índios kaiovás
Aquém – os bandidos que desejam nos roubar (cadê, onde estão?)
Vintém – pouco mais do que o merece o bufão

Refrão

Ponte:
Usam, abusam, gastam, desgastam,
Desgraçados!
Fazem, desfazem, rapam, derrapam,
Desgraçados!
Cobrem, encobrem, matam, desmatam,
Desgraçados!
Mentem, desmentem e contam descontos,
Desgraçados!

Pré-refrão
Refrão


(Rap)
No subúrbio tenha sempre seu ardil

Ando pelo bairro e paro na esquina
Está pichado o muro, maior cheio de urina.
Sigo o meu rolé, não suporto essa caatinga;
O buraco é tenso, não te explico, é só vendo
A cinquenta passos eu percebo um moreno
Chego perto dele, o malaco tá fedendo.

Nesta noite, sei, carniça é minha sina,
Parto para o bar, que o goró me alucina.
Que infelicidade, me oferecem cocaína.
Tenho cara de burguês?
Ou um perdidão talvez?
Não quero ser um freguês
De malucos, sim, vocês!

No subúrbio tenha sempre o seu ardil
É a lei da selva bem no meio do Brasil

O tiozinho no sinal se levanta, é um alento,
Dirige-se até mim, passos em câmera lenta
E pede um real, eu recuo – só lamento.
Seu bafo de cachaça não tem vivo que aguenta
A morte é mais um caso, apenas um intento.
As ruas da cidade é esse tipo que frequenta

O conselho de milhares serve de alerta
Infortúnio coletivo é o que a voz projeta
Que nosso excluído a sombra o proteja
Pois lixo voltará, no prato ou na bandeja –
Não seja o que ele enseja
E veja no que o fim despeja.
Não seja o que ele enseja
E veja no que o fim despeja.

Relaxo todo o corpo, prossigo mó intrépido,
Não demora muito, quase piso num decrépito.
Aqui por essas bandas desgraça é em avalanche
Não dá nenhuma Chance, agiliza uma Revanche,
Sou macaco velho, tenho sempre meu ardil:
Longe mês de Abril, fugidio, nem me Viu!

No subúrbio tenha sempre o seu ardil
É a lei da selva bem no meio do Brasil

Se eu fosse engravatado, fodão do Ministério,
A vida desses manos não teria mais mistério.
Retirava da gaveta plano gasto, já bem velho:
Distribuía a Renda, acabava com a Tristeza,
Não haveria um moleque sem jantar e sobremesa.
Por enquanto ele chora: ou almoça ou reveza,
Ou almoça ou reveza.

Em assuntos tolos todo povo é bem sincero
O papo é furado; lá a tia, vem com lero.
Quem dera com o tráfico grau de sigilo zero
É pow, pá, pum! Não vai sobrar nenhum...
Barbárie e violência, tretas que eu não tolero.
Ciclos retomados e infantes sem futuro.
“Um peito com três Furos, assim é que eu Faturo”,
Diz o vagabundo, com fuzil, atrás do muro...

No subúrbio tenha sempre o seu ardil
É a lei da selva bem no meio do Brasil


Muita gente no mundo

Não se pode viver sem respirar
sem comer, se proteger, ou se cuidar
Tudo bem fenecer quem não preservar
a muitos já é um fardo o pensar

Seja por questão moral, ou social,
eles só pensam na própria redoma
Indômitos ao descaso ambiental,
de tão insustentável surge sua agonia

Queimam, corrompem, destroem
mais aqui, mais ali, é sem fim
Terrenos, sistemas, os planetas,
não há praga que seja tão ruim

Superpopulação
É aniquilação
Insana nutrição
De espécies extinção

O irresponsável é intolerável
são muitos os direitos e poucos os deveres
Vão nossos governos provendo seus poderes
compondo essa massa amorfa de psicopatas

Acabou-se o paraíso aqui na mata
A selva de pedras é uma desgraça
Quanta natureza para usurpar,
é esbanjamento do lindo assassino

Pré-histórica nostalgia
A lógica e a tecnologia
Expansão em exponencial
De nós, os colossais cupins

Superpopulação
Aniquilação
Insana nutrição
De espécies extinção

 )(*&¨%$#@!
P.S.: Tomorrow comes the next part.