Por que a Fanta que bebemos quando criança não tem o mesmo gosto de hoje? Mudou algo em nosso paladar ou foi culpa da bebida? Por que brincar de Comandos em Ação, entre outras infantilidades, nos satisfazia e nunca mais ficaremos enfastiados do mesmo modo? Como jogar Atari ou Mega Drive que não era nosso, mesmo sem zerar, nos enchia de alegria; nada mais terapêutico...
Por que imaginar como era a técnica de tocar um instrumento era melhor que tocar um deles? A performance nunca é o que deveria ser? Por que nossa banda favorita aos 10 anos nunca mais se repetirá? Achamos graça de nosso passado, mas a nostalgia indica nossa valoração.
Por que o amor da juventude jamais se realizará? Ninguém pode ser tão belo quanto o primeiro platonismo.
Por que jogar 64 sempre terá sido mais prazeroso que a atual 51? Desejos imediatos eram satisfeitos, agora não sabemos o que queremos, apenas temos um ímpeto por algo desconhecido – consumismo agnóstico. Ah, pele lisa que nos envergonhava e que seria facilmente trocada por nossas rugas, manchas e cicatrizes...
De que adiantou meses de estudo para ser aprovado? Quem não se esforçou também passou! De que serviu meses de academia? Quem não malhou também comeu! De que serviu uma boa faculdade, com notas boas? Quem não se formou também ganhou dinheiro! De que adiantou não ter barriga? Apenas auto-estima para sonhar com uma esperança que nunca se concretizará...
Para que saber, conhecer, tocar, sentir, influenciar e ser influenciado? O que fica é sempre a primeira impressão. O subliminar e o inconsciente ativam-nos e ativam os outros. O que fazemos intencionalmente é mero alívio da consciência.
Quem não tem objetivo nunca pode comemorar as conquistas, porque não sabe o que conseguiu. Porém, uma vida calcada em tópicos é não ter individualidade, o positivismo é a destruição das surpresas que a vida nos reserva. É preciso uma cabeça de borracha para apagar os arrependimentos e gozar de uma felicidade alternativa.
Esforços não mudarão uma palha do preconceito do próximo. Julgamentos morais persistem quando se é ressentido. E quem não é? Quem não faz jogo de poder em um relacionamento? Quem se predispõe como inferior para ser submisso do dissimulado superior?
A gente nunca quer nada fácil. Mulher é mestre da jogatina do amor. Submete seus desejos em troca de sua reputação. Como ser tão estóico? Álcool para subverter...
Por que sutilezas e empatias simuladas nos amadurecem mais que vontades satisfeitas? Damos valor ao que queremos e não temos. Só quem reconhece a necessidade e sofre por sua irrealização consegue aprender. Mimados jamais serão completos.
Querer não é poder, mas é o começo. A atitude, quando não confundida com desespero, irá nos mover. Fim de ano melancólico, mas o comodismo foi repelido, só o sofrimento traz crescimento. O caminho costuma ser mais produtivo que o alvo, afinal, seria o fim, e só existe o fim quando não há mais alvo.
P.S.: 48 publicações no ano, quem conhece, sabe q esse número tem significado.
31 de dezembro de 2009
27 de dezembro de 2009
Mulheres, minhas intenções
Redenção
Atos cruéis, perversos, sensação de culpa
Não existe pecado, mas me sinto malvado
Recorro a nenhum ente, seriam desculpas
Recuso projetar falhas, ninguém se eleva
Precisa me julgar a musa que cativa
Dá-me sentido à vida e redenção, me ativa
Só consigo descobri-los numa alma de Eva
É bela, altiva, delicada e compassiva
Outro alvo, outro interesse, nada satisfaz
Entrego às damas poder, afeto e prazer
É o romântico egoísmo emancipador,
Leia ascensão mútua (não como enganador)
Desejo isso e aquela que isso lhe desejar
Mereceria mais, é somente louvar,
Devoção ociosa, apaixonado vigor,
Luxo desta época: se fazer sedutor
Quem ainda se importa apenas com a cópula –
Óbvio contemporâneo materialista –
Objetiva, coisifica-se, perde a vista
Seja tudo deixado em seu devido tempo:
Para a paixão iludir e o amor construir.
Querer hedonismo – jurar prazer sem fim
Também profundo compromisso, não ruim,
Sem posse, que liberta; um idêntico ator
Elogiar a rica performance artística
E recriar o, agora indefinido, amor
Ela em mim
Ainda penso, ainda sinto
Absorto quando ocioso
Mas tranquilo também fico
Supero o tédio se receoso
Não precisaria homenageá-la
Ela me passa segurança
Minha besta, sei que amansa
Justo por isso, nunca me cala
O vício em serotonina:
Esta será a nossa sina?
Alimentação de triptofano
Através dos atos profanos
Como esquecer seu jogo de quadril,
Os eróticos espasmos no cio?
Róseas auréolas, alva tez
Provocam genital turgidez
Sorverei, sim, sua vulva
Se em minha boca servir
O encaixe; e os cachos de uva.
Até a hora de despir e despedir
Esta relação hedonista
Desperta minha veia artista
Nenhuma substância ilícita,
Só prazer entre nós incita
Ela projeta em mim tesão
Tensão, como dizer um não?
Sonho, mesmo sem reprimir
Deixo inconsciente fluir
Proponho um brinde à juventude
Pois, implacável, o tempo urge
Atos cruéis, perversos, sensação de culpa
Não existe pecado, mas me sinto malvado
Recorro a nenhum ente, seriam desculpas
Recuso projetar falhas, ninguém se eleva
Precisa me julgar a musa que cativa
Dá-me sentido à vida e redenção, me ativa
Só consigo descobri-los numa alma de Eva
É bela, altiva, delicada e compassiva
Outro alvo, outro interesse, nada satisfaz
Entrego às damas poder, afeto e prazer
É o romântico egoísmo emancipador,
Leia ascensão mútua (não como enganador)
Desejo isso e aquela que isso lhe desejar
Mereceria mais, é somente louvar,
Devoção ociosa, apaixonado vigor,
Luxo desta época: se fazer sedutor
Quem ainda se importa apenas com a cópula –
Óbvio contemporâneo materialista –
Objetiva, coisifica-se, perde a vista
Seja tudo deixado em seu devido tempo:
Para a paixão iludir e o amor construir.
Querer hedonismo – jurar prazer sem fim
Também profundo compromisso, não ruim,
Sem posse, que liberta; um idêntico ator
Elogiar a rica performance artística
E recriar o, agora indefinido, amor
Ela em mim
Ainda penso, ainda sinto
Absorto quando ocioso
Mas tranquilo também fico
Supero o tédio se receoso
Não precisaria homenageá-la
Ela me passa segurança
Minha besta, sei que amansa
Justo por isso, nunca me cala
O vício em serotonina:
Esta será a nossa sina?
Alimentação de triptofano
Através dos atos profanos
Como esquecer seu jogo de quadril,
Os eróticos espasmos no cio?
Róseas auréolas, alva tez
Provocam genital turgidez
Sorverei, sim, sua vulva
Se em minha boca servir
O encaixe; e os cachos de uva.
Até a hora de despir e despedir
Esta relação hedonista
Desperta minha veia artista
Nenhuma substância ilícita,
Só prazer entre nós incita
Ela projeta em mim tesão
Tensão, como dizer um não?
Sonho, mesmo sem reprimir
Deixo inconsciente fluir
Proponho um brinde à juventude
Pois, implacável, o tempo urge
22 de dezembro de 2009
Sobre Relacionamento Aberto
Qual a maior prova de amor, hoje? Seria a perda da liberdade do(a) amado(a)? O sentimento de posse/propriedade se sobrepondo à efemeridade da emoção. Realismo: em um mundo vulgar e líquido, talvez seja o único valor que restou. O ciúme como insegurança e medo de ter seu objeto (sic) perdido. A fidelidade como prova moral de comprometimento. A mulher e sua quase obsessão por casamento, que a reconforta, afinal há um contrato que não a deixará desamparada; além da vaidade, reputação assegurada e a - instituição - família. Ingênuo é aquele que acredita que a mulher é mais romântica que o homem, ela sempre foi mais prática.
Sinto muito, mas, mesmo que um homem se convença da praticidade que a família traz, ou de uma metafísica em que ele sublima o amor, ele continuará desejando, conscientemente ou não, outras mulheres. Nossa culpa não é grande, são os genes que querem se perpetuar; o que somos além de máquinas gênicas? Instrumentos de melhoria do quadro social? O superego, a moral vigente, quer e espera que o macho se resigne com sua posição monogâmica. Mas as fêmeas só não são iguais porque não possuem a garantia do afeto paternal futuro. Alguns primitivos garantiam isso vivendo em comunidade, sem posse patriarcal. Todos eram de todos e cada um cuidava do outro. Porém, a estruturação social mudou.
Atualmente, o crescente individualismo impossibilita esta provisão, diminuindo a confiança de um pelo outro. Quão poderosa uma pessoa pode sentir por ser a única a receber o amor da outra? Mas e quem deseja escoar ao máximo seus amores internos potenciais, na quantidade que for necessária, para esvaziar seu recipiente de sentimentos, para tornar a enchê-lo, em um belo ciclo, que afasta ressentimentos? Dopamina, oxitocina e serotonina são viciantes. É o naturalismo contra a burocracia da vida moderna. Uma tentativa de visão artística e de potência da vida, que é mais que nosso arrogante antropocentrismo. Quem ainda vê beleza e transcendência no sexo e no relacionamento? Eles se tornaram um problema de desempenho.
Haveria mais gente feliz? Ou não há mais retorno? Tornamo-nos duros demais para coisas tão singelas? O que endurece e finca raiz é mais difícil de ornar e esculpir. A possessão e o escrutínio público não permitem esquecer nossa individuação, colocando o orgulho e a vaidade como sentimentos intransponíveis à liberdade e à ajuda de fazer feliz quem se ama. É impossível a dedicação e o carinho, em profundidade – o que mais exigir? – a quem não se tem a posse (exclusiva)? Isso é tratar uma pessoa como objeto.
Mas talvez seja também ter muitas necessidades e querer preencher os vazios, um consumismo hormonal, ou uma posse descartável, ou ainda, uma histeria por experimentação?
Quem consegue ser feliz na estabilidade e no tédio da vida a dois por tanto tempo e com tantas preocupações a solucionar? Muito pouco amoroso transferir seu problema ao outro. “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”, leia-se tolerância. Isto é, continuar admirando o que é contrário aos seus valores. É preciso completude e respeito à individualidade do outro, o que é diferente. O mundo já é cheio de motivos para sermos pessimistas. O romantismo é ser cego, ignorar defeitos, quando os percebemos e nos afetam, morre toda a fantasia. Isso é ser idealista? Que pena...
Para finalizar, um trecho de uma música-tema sobre isso, A Maçã: “Amor só dura em liberdade/O ciúme é só vaidade/Sofro, mas eu vou te libertar”.
Sinto muito, mas, mesmo que um homem se convença da praticidade que a família traz, ou de uma metafísica em que ele sublima o amor, ele continuará desejando, conscientemente ou não, outras mulheres. Nossa culpa não é grande, são os genes que querem se perpetuar; o que somos além de máquinas gênicas? Instrumentos de melhoria do quadro social? O superego, a moral vigente, quer e espera que o macho se resigne com sua posição monogâmica. Mas as fêmeas só não são iguais porque não possuem a garantia do afeto paternal futuro. Alguns primitivos garantiam isso vivendo em comunidade, sem posse patriarcal. Todos eram de todos e cada um cuidava do outro. Porém, a estruturação social mudou.
Atualmente, o crescente individualismo impossibilita esta provisão, diminuindo a confiança de um pelo outro. Quão poderosa uma pessoa pode sentir por ser a única a receber o amor da outra? Mas e quem deseja escoar ao máximo seus amores internos potenciais, na quantidade que for necessária, para esvaziar seu recipiente de sentimentos, para tornar a enchê-lo, em um belo ciclo, que afasta ressentimentos? Dopamina, oxitocina e serotonina são viciantes. É o naturalismo contra a burocracia da vida moderna. Uma tentativa de visão artística e de potência da vida, que é mais que nosso arrogante antropocentrismo. Quem ainda vê beleza e transcendência no sexo e no relacionamento? Eles se tornaram um problema de desempenho.
Haveria mais gente feliz? Ou não há mais retorno? Tornamo-nos duros demais para coisas tão singelas? O que endurece e finca raiz é mais difícil de ornar e esculpir. A possessão e o escrutínio público não permitem esquecer nossa individuação, colocando o orgulho e a vaidade como sentimentos intransponíveis à liberdade e à ajuda de fazer feliz quem se ama. É impossível a dedicação e o carinho, em profundidade – o que mais exigir? – a quem não se tem a posse (exclusiva)? Isso é tratar uma pessoa como objeto.
Mas talvez seja também ter muitas necessidades e querer preencher os vazios, um consumismo hormonal, ou uma posse descartável, ou ainda, uma histeria por experimentação?
Quem consegue ser feliz na estabilidade e no tédio da vida a dois por tanto tempo e com tantas preocupações a solucionar? Muito pouco amoroso transferir seu problema ao outro. “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”, leia-se tolerância. Isto é, continuar admirando o que é contrário aos seus valores. É preciso completude e respeito à individualidade do outro, o que é diferente. O mundo já é cheio de motivos para sermos pessimistas. O romantismo é ser cego, ignorar defeitos, quando os percebemos e nos afetam, morre toda a fantasia. Isso é ser idealista? Que pena...
Para finalizar, um trecho de uma música-tema sobre isso, A Maçã: “Amor só dura em liberdade/O ciúme é só vaidade/Sofro, mas eu vou te libertar”.
21 de dezembro de 2009
Mudarei
Cômodo repelido
Incômodo comodismo
Desconfortável conforto
O descanso é cansativo
Consolo não mais zeloso
Sossego que desanima
Negativa atividade
A gratuidade é passiva
Bem-estar desagradável
O mal-estar fortifica
Impele, motiva, afinca
Não se tem, assim se quer
O inóspito me acomoda
A proteção lhe perturba
O cuidado que enfraquece
Forças vindas do importuno:
Diligente inconformista
Desinteressante agrado
Agasalhe bem seu ânimo
Empenhe-se neste afago
À pertinente irreverência
Sofrível prazer
Alegre sofrer
Faz bem, faz mal
Pareço portador de ciclotimia,
Rainha de meu armado pedestal,
Gosto apenas do que me causa arritmia
É o caso do estouvado romance astral
É musa impassível, Hera terrível,
Vive em meio a pedras e superfícies
Nada me indica que estou a seu nível
Deste rapsodo assustam-na os artífices
Com a raridade de boas notícias
Deixo passar todas as minhas premissas
Quando recebo uma, celebro, exagero
Insensato, boto fogo como Nero
Ela me faz bem - reacende a paixão -
Ela me faz mal - escuto muito "não"
A influência da tradição Sturm und Drang
Faz abranger a falange de meu sangue
Nesta acepção simbólica da existência
É resolvido o problema da carência
Após várias derrotas e planos B,
Dúbio, pois na vaidade impera a visão,
E incauto. Retorna-me a inspiração
Só ela que renova a alegria de viver
Ela me faz bem - reacende a paixão -
Ela me faz mal - escuto muito "não"
Incômodo comodismo
Desconfortável conforto
O descanso é cansativo
Consolo não mais zeloso
Sossego que desanima
Negativa atividade
A gratuidade é passiva
Bem-estar desagradável
O mal-estar fortifica
Impele, motiva, afinca
Não se tem, assim se quer
O inóspito me acomoda
A proteção lhe perturba
O cuidado que enfraquece
Forças vindas do importuno:
Diligente inconformista
Desinteressante agrado
Agasalhe bem seu ânimo
Empenhe-se neste afago
À pertinente irreverência
Sofrível prazer
Alegre sofrer
Faz bem, faz mal
Pareço portador de ciclotimia,
Rainha de meu armado pedestal,
Gosto apenas do que me causa arritmia
É o caso do estouvado romance astral
É musa impassível, Hera terrível,
Vive em meio a pedras e superfícies
Nada me indica que estou a seu nível
Deste rapsodo assustam-na os artífices
Com a raridade de boas notícias
Deixo passar todas as minhas premissas
Quando recebo uma, celebro, exagero
Insensato, boto fogo como Nero
Ela me faz bem - reacende a paixão -
Ela me faz mal - escuto muito "não"
A influência da tradição Sturm und Drang
Faz abranger a falange de meu sangue
Nesta acepção simbólica da existência
É resolvido o problema da carência
Após várias derrotas e planos B,
Dúbio, pois na vaidade impera a visão,
E incauto. Retorna-me a inspiração
Só ela que renova a alegria de viver
Ela me faz bem - reacende a paixão -
Ela me faz mal - escuto muito "não"
12 de dezembro de 2009
Nada bem
Em Desarrimo
Cansado de sentir-se idiota
Cansado de ser feito de otário
Quer fugir para uma errante ilhota
E dormir sob as gotas do orvalho
É o maldito desejo que brota
Não importa mais o seu salário
Antes tivesse adquirido gota
Ou vivesse jogando baralho
Vislumbra nenhuma conquista
Pelos outros não é bem quisto
É inevitável, pelo visto,
Um futuro qualquer à vista
Não sabe enfrentar sua derrota
Por ser contumaz, não muda a rota
Aqueles que surgem em auxílio
Acalmam o ímpeto de suicídio
Veja bem, ele não faz o bem
Meu bem, ele gosta é de ninguém
Parcas vitórias premonitórias
Suas glórias fogem à memória
A busca assídua da perfeição
Verteu-se nele na depressão
Com altos deveras provisórios
Descuida, concentra-se nos baixos
E julga tudo como ilusório
Apagando jamais o seu facho
Exagero de expectativas?
Mimos impediram o atino
Fêmeas foram não receptivas
Desanima-se, em desarrimo
Tem angústia ou ansiedade
Nem, rústica é sua vaidade
Arredio, não vai mais se orgulhar
Só um arrepio, e depois se calar
Não sabe o que lhe seria melhor:
Estável, sem desafios nem riscos
Ou irritável, curto pavio e arisco.
Assim, tudo vai ficando pior
Sumiram daqui todos os dados
Assume-se, enfim, um derrotado
Exigente, e ficou intolerante,
Intransigente, e acabou emigrante
O decadente social, garante
Sua ilha precisa de brisas
Sua metafísica é tísica
Seu platônico é histriônico
Seus sonhos, ademais, insanos
Assim é o genérico inepto
Cansado de sentir-se idiota
Cansado de ser feito de otário
Quer fugir para uma errante ilhota
E dormir sob as gotas do orvalho
É o maldito desejo que brota
Não importa mais o seu salário
Antes tivesse adquirido gota
Ou vivesse jogando baralho
Vislumbra nenhuma conquista
Pelos outros não é bem quisto
É inevitável, pelo visto,
Um futuro qualquer à vista
Não sabe enfrentar sua derrota
Por ser contumaz, não muda a rota
Aqueles que surgem em auxílio
Acalmam o ímpeto de suicídio
Veja bem, ele não faz o bem
Meu bem, ele gosta é de ninguém
Parcas vitórias premonitórias
Suas glórias fogem à memória
A busca assídua da perfeição
Verteu-se nele na depressão
Com altos deveras provisórios
Descuida, concentra-se nos baixos
E julga tudo como ilusório
Apagando jamais o seu facho
Exagero de expectativas?
Mimos impediram o atino
Fêmeas foram não receptivas
Desanima-se, em desarrimo
Tem angústia ou ansiedade
Nem, rústica é sua vaidade
Arredio, não vai mais se orgulhar
Só um arrepio, e depois se calar
Não sabe o que lhe seria melhor:
Estável, sem desafios nem riscos
Ou irritável, curto pavio e arisco.
Assim, tudo vai ficando pior
Sumiram daqui todos os dados
Assume-se, enfim, um derrotado
Exigente, e ficou intolerante,
Intransigente, e acabou emigrante
O decadente social, garante
Sua ilha precisa de brisas
Sua metafísica é tísica
Seu platônico é histriônico
Seus sonhos, ademais, insanos
Assim é o genérico inepto
8 de dezembro de 2009
Inescapável ciclo
Ciclo é mania
Cíclico impulso ciclotímico
Ciclo virtuoso tornado vicioso
Sim, com cinco ciclos sinto
Irrefletida compulsão
O retorno é sem compunção
Do pulso, sua pulsação
Como um ciclone, em espiral
A repetição sem fim, sempre igual
Repete, repele; compete, compele
Reparar é sua mania
Intensa esquizofrenia
Diz a diarista, dia a dia
De novo, ele quer revolver
Neurose impele a negação
A evitar tomar o revólver
Sucesso, enfim se mantém são
Há regresso: o ato reatado
Paranóico e maníaco compelido
Por seus traumas infantis cumulativos
Apenas megalomania egocêntrica
Ciclos retornam e repetem, intensos
Pensos ou apensos; eu penso ou não penso
Amor e Reparação
Eu gosto de você,
Bem, melhor dizendo,
Gosto deste gosto
Separo, divido, estripo
Para o meu bel-prazer
Ah! Mas que sensação.
Posso me dizer feliz...
Mas o que estou a fazer?
Am I the Jekyll and the Hyde?
Eu não sabia ser sádico
Agora vou reparar-me,
Ou seria reparar-te?
Junto tudo como um cirurgião
Sem cicatrizes para você
Eles ficaram cravadas em mim.
- Agora você me ama?
Jogo-me aos seus pés,
Subtraio-me, puno-me
Sei que devo minha vida
A quem me trouxe felicidade
Você! Que, enfim, me possui.
Agora, sim, você me ama
Cíclico impulso ciclotímico
Ciclo virtuoso tornado vicioso
Sim, com cinco ciclos sinto
Irrefletida compulsão
O retorno é sem compunção
Do pulso, sua pulsação
Como um ciclone, em espiral
A repetição sem fim, sempre igual
Repete, repele; compete, compele
Reparar é sua mania
Intensa esquizofrenia
Diz a diarista, dia a dia
De novo, ele quer revolver
Neurose impele a negação
A evitar tomar o revólver
Sucesso, enfim se mantém são
Há regresso: o ato reatado
Paranóico e maníaco compelido
Por seus traumas infantis cumulativos
Apenas megalomania egocêntrica
Ciclos retornam e repetem, intensos
Pensos ou apensos; eu penso ou não penso
Amor e Reparação
Eu gosto de você,
Bem, melhor dizendo,
Gosto deste gosto
Separo, divido, estripo
Para o meu bel-prazer
Ah! Mas que sensação.
Posso me dizer feliz...
Mas o que estou a fazer?
Am I the Jekyll and the Hyde?
Eu não sabia ser sádico
Agora vou reparar-me,
Ou seria reparar-te?
Junto tudo como um cirurgião
Sem cicatrizes para você
Eles ficaram cravadas em mim.
- Agora você me ama?
Jogo-me aos seus pés,
Subtraio-me, puno-me
Sei que devo minha vida
A quem me trouxe felicidade
Você! Que, enfim, me possui.
Agora, sim, você me ama
27 de novembro de 2009
Fase (?) Pessimista
Ridículo
Eu, de fato, sou ridículo
Internato ao furúnculo
Por que tu deves gostar de mim
Ou eu me interessar por ti?
Perda é só o que há aqui
Quem me dera ser hedonista,
Sádico ou masoquista
Não há saída: sou pessimista
Surge-me o sentido da vida
Eis que é ajudar uma querida
A curar as suas feridas
E quitar minhas dívidas?
Escutar muitas eqüinas.
A velhinha não me atrai
Indiferente à sua história
Apenas penso no entra-e-sai
Bebo para fugir da memória,
Morcego da adolescência,
Consciência e demência
Volto ao ponto de partida,
Clara e vidente decadência
Biografia falecida
Do homem da ciência
Sem dúvida, escrevo bebum
Sentido, de certo, nenhum
São vinhos e a certeza
Da derrota iminente,
Arrota e toma tua cerveja –
Rota contraproducente
Também contracorrente
Vide: perdido e perplexo.
É que nada, absolutamente,
Parece-me haver nexo
Não sei como não me mato,
A esperança impede tal fato
Solitude, não completude,
Justifica esta atitude.
Alimento jogado ao mar
Ao relento meu lento odiar
Confuso, deveras impreciso
Abuso, redimir-me preciso
Livros para erudição
Música pro sentimento
Morte minha, sem coação.
Você me diz “eu lamento”
Alcoolismo é solução?
Chama, lama e cimento,
Chama lhama em Sorrento
Chás melam o bobagento
Muita, muita informação
Curto momento idílico
Eu disse: sou ridículo
P.S.: Se em meu auge físico e intelectual eu me considero um fracasso, imagine em minha decadência fisiológica... Vida é potência, senilidade é para os resignados.
Eu, de fato, sou ridículo
Internato ao furúnculo
Por que tu deves gostar de mim
Ou eu me interessar por ti?
Perda é só o que há aqui
Quem me dera ser hedonista,
Sádico ou masoquista
Não há saída: sou pessimista
Surge-me o sentido da vida
Eis que é ajudar uma querida
A curar as suas feridas
E quitar minhas dívidas?
Escutar muitas eqüinas.
A velhinha não me atrai
Indiferente à sua história
Apenas penso no entra-e-sai
Bebo para fugir da memória,
Morcego da adolescência,
Consciência e demência
Volto ao ponto de partida,
Clara e vidente decadência
Biografia falecida
Do homem da ciência
Sem dúvida, escrevo bebum
Sentido, de certo, nenhum
São vinhos e a certeza
Da derrota iminente,
Arrota e toma tua cerveja –
Rota contraproducente
Também contracorrente
Vide: perdido e perplexo.
É que nada, absolutamente,
Parece-me haver nexo
Não sei como não me mato,
A esperança impede tal fato
Solitude, não completude,
Justifica esta atitude.
Alimento jogado ao mar
Ao relento meu lento odiar
Confuso, deveras impreciso
Abuso, redimir-me preciso
Livros para erudição
Música pro sentimento
Morte minha, sem coação.
Você me diz “eu lamento”
Alcoolismo é solução?
Chama, lama e cimento,
Chama lhama em Sorrento
Chás melam o bobagento
Muita, muita informação
Curto momento idílico
Eu disse: sou ridículo
P.S.: Se em meu auge físico e intelectual eu me considero um fracasso, imagine em minha decadência fisiológica... Vida é potência, senilidade é para os resignados.
26 de novembro de 2009
Medo e Infância
Eu posso ter medo de algumas coisas. Mas eu seria corajoso enfrentando qualquer situação, ao menos eu projeto assim de minha cômoda contemplação. O maior empecilho seria o medo da perda, de meu status quo, que poderia ocasionar depressão. Sem dúvida, não tenho pavor de nada. Em uma provável parcial auto-análise, eu diria que meus maiores pequenos medos são de altura e de me sentir inferior (ridículo) – irônico, não?
Não sei explicar o porquê de minha insegurança em locais altos, mas eu circulo por eles, em mirantes, montanhas-russas e junto a janelas de prédios, por exemplo. Então, é algo normal, aquela apreensão de que após um movimento em falso, eu cairia e não haveria volta. Além da visão aterradora da temível queda; talvez eu precise pular de bungee jump para conhecer a sensação dessa experiência e acabar de vez com este temor.
Quanto a me sentir inferior, rejeitado, escarnecido pelo escrutínio público, com orgulho ferido e reputação manchada, é parte de minha projeção existencial. Eu preciso me achar bom e superior, à maioria pelo menos. É parte de minha personalidade, eu me esforço, quase sempre solitária e autonomamente, inflo meu ego e afago meu orgulho, no momento de expor minha vaidade, é muito difícil eu aceitar o escarnecimento, mesmo que de pusilânimes, apesar de que esses ignóbeis têm mais chances de desmoralizar, pois não entendem meu comportamento e obviamente, ao inferiorizar alguém que lhes é elevado, sentem-se exaltados. Mesmo que eu não precise da aprovação de ninguém com meus atos, é necessária minha consciência limpa, que me diga: “aí, tu é foda mermo, hein!” – e também por culpa de meu perfeccionismo.
Talvez seja essa última a minha única “angústia infantil mórbida”, resquício da vivência infantil que os psicanalistas defendem como marcos definitivos do nosso caráter. Eu sempre contestei essa posição, defendendo os traumas da adolescência como os marcos mais importantes, por justamente ser uma fase mais consciente que a da tenra infância. Conflitos edipianos e com meus pais nunca passaram pela minha cabeça, rejeito veementemente esses argumentos, se não fosse pela minha leitura sobre o tema, nem saberia que amar a mãe e querer matar o pai existisse, muito menos que fosse comum. Talvez pelo meu pai ter sido muito mais amável que minha mãe e por eu ser filho único e não ter a concorrência por atenção. Nunca fui possessivo com pessoas, apenas com objetos; sou grato a mim por hoje não ser possessivo com mais nada além de mim mesmo, apenas as minhas idéias transitórias são minha extensão.
A minha falta de religião e espiritualidade durante quase toda a minha vida, exceto por uns 2 anos juvenis, e a liberdade, ainda que restrita pela responsabilidade inevitável (como não ser um existencialista com uma criação destas?), formaram-me, como alguém não reprimido, que não precisa esconder algo por vergonha e que enfrenta qualquer inconveniente, desde que valha o risco de ferir a própria honra. O pecado não existe para mim, há apenas crime (sendo que este eu tenho contestado), porém nada de imperativo categórico, apenas hipotético, de uma forma maquiavélica. Não conheço novos conceitos psicanalíticos que invertam esta superestima da infância, por isso não argumento melhor. Porém, sei que o contexto vitoriano e repressor cristão não existe mais, o que exige a reformulação para apontar quais momentos em nossa vida são nevrálgicos à nossa idiossincrasia.
Eu tive uma infância tranqüila, é difícil eu reclamar de algo nessa fase, na verdade eu tinha pouco ímpeto, além de paixão por futebol e ser um bom aluno e filho, não me recordo de me entusiasmar com algo, talvez por algum tempo por carros e brinquedos, mas nada a que eu me agarrasse e chorasse por não ter. Por isso eu não sou um consumista hoje? Pode ser. Historinhas e músicas infantis nunca foram mágicas e tinham forte apelo. Talvez eu sempre tivesse gostado mais de agressividade, sangue, lutas e competições, mas a não prática desses atos arrefeceu os instintos psicopatas e imorais. É triste, porque não me permitiu descobrir meu dom; sempre fiz o que os outros esperassem que eu fizesse, e depois eu passei a contestar isso e a fazer só o que eu quisesse, sem ajuda, o que me deixou bastante autônomo, mas incompleto. Penso eu que é melhor ser um resistente ermitão de parcas obras e raros elogios, porém de forte individualidade, a ser marionete social, em um grupo coberto de máscaras e maquiagens, escondendo aquilo que todos temem em expor ao público, mesmo que (ilusoriamente?) feliz.
Quanto à adolescência, aconteceram situações que ainda me apresenta como fantasmas. Talvez eu superestimasse os outros; acabei não sabendo lidar com meus desejos e preceitos. O problema não foi o rompimento com a infantilidade, mas a angústia de ficar à deriva no futuro e naquele presente. Eu era invejoso do desconhecido, desconhecendo a reação? Acho que eu sempre fui diferente dos outros e, por não achar a minha “turma”, me recusei a fazer parte de qualquer uma. O que só aumentou meu orgulho, porém reduziu minhas experiências interpessoais, esfriando a compaixão que um dia eu poderia via a ter.
Tudo me levou a ser antissocial e misantropo, convivendo com a falta de exposição e experiência empática. Não sei se sofro, todavia é fato de que não tenho medo do ostracismo, afinal, se eu me dedicasse, eu seria um monge niilista ou sociopata. É isto: tenho medo de não ser temido?
Não sei explicar o porquê de minha insegurança em locais altos, mas eu circulo por eles, em mirantes, montanhas-russas e junto a janelas de prédios, por exemplo. Então, é algo normal, aquela apreensão de que após um movimento em falso, eu cairia e não haveria volta. Além da visão aterradora da temível queda; talvez eu precise pular de bungee jump para conhecer a sensação dessa experiência e acabar de vez com este temor.
Quanto a me sentir inferior, rejeitado, escarnecido pelo escrutínio público, com orgulho ferido e reputação manchada, é parte de minha projeção existencial. Eu preciso me achar bom e superior, à maioria pelo menos. É parte de minha personalidade, eu me esforço, quase sempre solitária e autonomamente, inflo meu ego e afago meu orgulho, no momento de expor minha vaidade, é muito difícil eu aceitar o escarnecimento, mesmo que de pusilânimes, apesar de que esses ignóbeis têm mais chances de desmoralizar, pois não entendem meu comportamento e obviamente, ao inferiorizar alguém que lhes é elevado, sentem-se exaltados. Mesmo que eu não precise da aprovação de ninguém com meus atos, é necessária minha consciência limpa, que me diga: “aí, tu é foda mermo, hein!” – e também por culpa de meu perfeccionismo.
Talvez seja essa última a minha única “angústia infantil mórbida”, resquício da vivência infantil que os psicanalistas defendem como marcos definitivos do nosso caráter. Eu sempre contestei essa posição, defendendo os traumas da adolescência como os marcos mais importantes, por justamente ser uma fase mais consciente que a da tenra infância. Conflitos edipianos e com meus pais nunca passaram pela minha cabeça, rejeito veementemente esses argumentos, se não fosse pela minha leitura sobre o tema, nem saberia que amar a mãe e querer matar o pai existisse, muito menos que fosse comum. Talvez pelo meu pai ter sido muito mais amável que minha mãe e por eu ser filho único e não ter a concorrência por atenção. Nunca fui possessivo com pessoas, apenas com objetos; sou grato a mim por hoje não ser possessivo com mais nada além de mim mesmo, apenas as minhas idéias transitórias são minha extensão.
A minha falta de religião e espiritualidade durante quase toda a minha vida, exceto por uns 2 anos juvenis, e a liberdade, ainda que restrita pela responsabilidade inevitável (como não ser um existencialista com uma criação destas?), formaram-me, como alguém não reprimido, que não precisa esconder algo por vergonha e que enfrenta qualquer inconveniente, desde que valha o risco de ferir a própria honra. O pecado não existe para mim, há apenas crime (sendo que este eu tenho contestado), porém nada de imperativo categórico, apenas hipotético, de uma forma maquiavélica. Não conheço novos conceitos psicanalíticos que invertam esta superestima da infância, por isso não argumento melhor. Porém, sei que o contexto vitoriano e repressor cristão não existe mais, o que exige a reformulação para apontar quais momentos em nossa vida são nevrálgicos à nossa idiossincrasia.
Eu tive uma infância tranqüila, é difícil eu reclamar de algo nessa fase, na verdade eu tinha pouco ímpeto, além de paixão por futebol e ser um bom aluno e filho, não me recordo de me entusiasmar com algo, talvez por algum tempo por carros e brinquedos, mas nada a que eu me agarrasse e chorasse por não ter. Por isso eu não sou um consumista hoje? Pode ser. Historinhas e músicas infantis nunca foram mágicas e tinham forte apelo. Talvez eu sempre tivesse gostado mais de agressividade, sangue, lutas e competições, mas a não prática desses atos arrefeceu os instintos psicopatas e imorais. É triste, porque não me permitiu descobrir meu dom; sempre fiz o que os outros esperassem que eu fizesse, e depois eu passei a contestar isso e a fazer só o que eu quisesse, sem ajuda, o que me deixou bastante autônomo, mas incompleto. Penso eu que é melhor ser um resistente ermitão de parcas obras e raros elogios, porém de forte individualidade, a ser marionete social, em um grupo coberto de máscaras e maquiagens, escondendo aquilo que todos temem em expor ao público, mesmo que (ilusoriamente?) feliz.
Quanto à adolescência, aconteceram situações que ainda me apresenta como fantasmas. Talvez eu superestimasse os outros; acabei não sabendo lidar com meus desejos e preceitos. O problema não foi o rompimento com a infantilidade, mas a angústia de ficar à deriva no futuro e naquele presente. Eu era invejoso do desconhecido, desconhecendo a reação? Acho que eu sempre fui diferente dos outros e, por não achar a minha “turma”, me recusei a fazer parte de qualquer uma. O que só aumentou meu orgulho, porém reduziu minhas experiências interpessoais, esfriando a compaixão que um dia eu poderia via a ter.
Tudo me levou a ser antissocial e misantropo, convivendo com a falta de exposição e experiência empática. Não sei se sofro, todavia é fato de que não tenho medo do ostracismo, afinal, se eu me dedicasse, eu seria um monge niilista ou sociopata. É isto: tenho medo de não ser temido?
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