20 de maio de 2009

Há sempre um peixe maior - e um menor

Amor-próprio é indispensável. Em nossa sociedade superpopulosa e massificada de um lado, entrópica e super-especializada de outro, não se afirmar é ser uma marionete social (apesar de que muitas vezes essa afirmação é vaidosa, visando um pequeno grupo).

Costumamos forjar uma grandeza interna, um ídolo de nós mesmos, para não entrarmos em depressão; afinal, ser gótico, autodepreciativo, pusilânime - entre outros adjetivos - não pode ser uma coisa boa, é querer se anular, é não suportar o próprio vazio, é ser escravo de alguém disposto a dominar, sevandija de um espírito de senhor. Todos nós temos estas fases ególatras e suicidas.

Se alguém olha para o jardim do vizinho, este é sempre mais verde, logo desejamos ter aquilo também, queremos ser tão bom e bem-sucedido quanto ele conseguiu ser. Mas o dono deste jardim poderá olhar para os jardins ornamentados e invejar outro ícone, ou até mesmo seu vizinho invejoso! O inferno somos nós, que precisamos nos divertir com a desgraça alheia, só me elevo quanto o outro cai. Conseguimos controlar a cobiça, quando despertada?

Se não olhamos para nenhum lado ou direção, criamos nosso próprio mundo auto-suficiente, tornamo-nos autistas, assim, nos iludimos com esta felicidade egoísta. Agora somos os melhores, afinal, quem melhor para me julgar do que eu mesmo? Vivendo de orgulho, não nos irritamos, não temos que discutir com julgamentos depreciativos dos ignorantes. O inferno são os outros, não recebo suas maldades, mas também não analiso suas perspectivas idiossincráticas. Conseguimos sair deste conforto, para ir em direção às convulsões?

O que fazer com esta angústia? Num momento reconheço que eu sou muito inferior, que por mais que eu me esforce jamais terei o talento, a erudição, a inteligência, as conquistas – em um devaneio chego a pensar até na vida! – dos outros. Em outro momento, eu sou o melhor, ninguém reconhece meus feitos, mas só eu sei o que passei para chegar ao cume, ou então tenho fama e sou julgado – superficialmente – como a personalidade da hora – como não inflar o ego um paparico desses?

Não adianta, Sócrates nos ensina a reconhecer a nossa ignorância, é o primeiro passo da sabedoria.

Qual o seu objetivo? É projetar sua vida nos outros? Ser feliz somente quando você se vê pelos olhos daqueles que lhe julgam? Ou ter uma felicidade de realizações pessoais, superando todos os percalços do caminho, elevando-se ao máximo com os recursos disponíveis, sendo a opinião alheia apenas conseqüência de sua obra, internamente julgada como boa? Ou, ainda, ignorar os conhecimentos erudito, cultural e social, e ter uma vida cabocla, longe de quaisquer aspirações que um meio sempre induz a ter, e ser feliz com as sombras projetadas na caverna? Ou seja, ser escravo, mas feliz? Ou desejar subjugar tantos quantos possíveis de o serem, entrando para a história como o senhor que realizou grandes feitos, “ajudou” seu povo, este que, como recompensa, deverá, no mínimo, honrá-lo com insígnias e nome de obras públicas e de ruas...

Enfim, são inúmeras as possibilidades, elenquei algumas que me vieram à mente. Tudo depende das contingências, do espírito de cada um, de como a vida é subjetivamente valorizada e o sentido que é dado a ela. Se quiserem saber meu caso, precisam conhecer minhas intenções – o que não é difícil – para saber o que valorizo e qual é meu espírito.

Destino não existe, mesmo que as quedas contumazes, ou vitórias fortuitas, pareçam indicar o contrário. É impossível escapar da responsabilidade que o existencialismo nos imprime. Mesmo que muitas vezes parece que não filosofamos, refletimos, projetamos o futuro, nossas ações constroem nosso caráter, nossas experiências nos ensinam o que gostamos e o que iremos perseguir. Seja conscientemente ou instintivamente, nós somos os únicos a quem iremos reclamar pela vida que no final tivemos, afinal, as oportunidades estavam escancaradas, se você foi herói ou covarde, se você é realizado ou desgostoso, Ah... você sabe, você sempre soube...

2 comentários:

  1. Confusão,acho que isso é existir!
    Melhor ou pior, maior ou menor? Depende do seu referencial. Só sei, que (na minha cabeça, o existir, ou não) tudo é uma grande confusão.

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  2. Oi andré.
    espero que vc encontre pessoas que possam
    discutir todos os ideais pelo qual vc se indentifica....
    carol

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